A palavra "desfecho" em saúde se traduz pelo resultado de um tratamento, seja ele severo, como uma complexa cirurgia cardíaca, ou um simples ponto em um pequeno corte nas mãos. Trataremos nesse texto a relação que existe entre desfecho e aquilo que está ligado a ele, seu custo — que gera seu pagamento, seja feito por órgão do governo, particular ou mediante um plano de saúde.

O modelo que ainda sobrevive: o fee-for-service

Pratica-se um modelo de remuneração para estes desfechos que ainda sobrevive em nosso país, chamado fee-for-service — ou aquele que se paga pela quantidade do desfecho, mesmo quando o bem do outro lado é a vida de um ser humano. Uma aberração, sendo simplista.

Reconheço os esforços que estão sendo feitos no Brasil, desde 2005, e logo mais um pouco à frente em 2007, quando fomos agraciados com o lançamento do livro no Brasil, "Repensando a Saúde" de Michael Porter, onde o tema central, quando tratava as mazelas do sistema de saúde brasileiro, era o modelo de remuneração e o sistema fragmentado.

Quanto aos sistemas de remuneração, citamos empresas como a 2iM, do Dr. César Abicalaffe, que vem trilhando e sendo protagonista nesse mercado com seu excelente trabalho, o qual dou como encaminhado, sendo apenas uma questão de tempo para novos modelos serem implantados.

O problema maior: a fragmentação dos dados

Em relação à fragmentação do sistema de saúde, não há como não começarmos pelos dados que nele são imputados ou, quando não, sendo no mínimo "mal inseridos" em sistemas corrompidos e concorrentes entre si de acordo com seus interesses — que certamente não estão ligados à qualidade do desfecho e sim em gerar um desfecho "mais barato".

Imagine que em um universo de uma grande empresa contratante temos o plano de saúde, a empresa de benefícios, os programas de benefícios de medicamentos, aplicativos de saúde e bem-estar, academias e a própria equipe de SESMT — e no meio de tudo isso, um trabalhador com seus dados de saúde completamente desintegrados.

Quando olhamos pela ótica dos prestadores de serviços é por onde mais me preocupo, pois os interesses são estanques e estas empresas muitas vezes concorrem entre si mesmo, sendo o mesmo pagador — considerando que hoje 72% dos planos são planos empresariais.

A NR-1 e o adoecimento mental: o momento decisivo

Dado aos movimentos realizados pelo Governo, cito aqui o MTE, através das suas Portarias 1.419/24 e a Lei 14.831 do mesmo ano — que certifica as empresas amigas da saúde mental —, terá agora, de forma obrigatória, que adequar seu PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) para agregar as informações psicossociais aos riscos do ambiente de trabalho.

Ainda é necessário dizer que vivemos, também, no mesmo momento, uma questão de crescimento quanto ao adoecimento mental na ordem de aproximadamente 42% da população sendo portadora de algum tipo de adoecimento mental — e isso é impactante. Basta ver o número de feminicídios, suicídios, alcoolismo e drogas, afastamentos e a violência em si.

O outro problema que é cultural está onde a população ainda não entende o que é adoecimento mental e o trata como loucura — e isso só prejudica soluções populacionais para o nosso país.

O custo real que ninguém soma

De fato, RHs e gestores de saúde, em sua maioria, buscam em seus corretores e/ou administradoras de benefícios achar respostas integradas para um modelo que ainda é fragmentado — e aí se desiludem um com o outro, ficando o dito pelo não dito, um contra o outro.

R$ 444k
Uma empresa com 500 colaboradores e folha de pagamento em torno de R$ 1.900.000,00 gasta, além do valor mensal do plano de saúde, de forma incremental mais de R$ 444.000,00 em saúde — com absenteísmo, presenteísmo, passivos jurídicos, custos incrementais de saúde mental e até pelo FAP (Fator Acidentário de Prevenção).
A tese central

É como digo e aposto todas as minhas fichas: dinheiro para a área de saúde, com qualidade, existe — para pagar por excelentes desfechos. O problema é que ele está em locais errados, fragmentados, com alguns ganhando muito enquanto poucos recebem as sobras.

Vamos discutindo!

Entenda como a IntegralCorp. integra esses dados

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